A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) projetou crescimento de 5,7% para o setor de seguros em 2026 — uma aceleração relevante frente à expansão de 1,8% registrada em 2025. O número, divulgado pela entidade, indica recuperação da atividade setorial, mas vem acompanhado de ressalvas que limitam o otimismo dos mercados e dos próprios operadores.
O presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, destacou que a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã pode frear a trajetória prevista. Segundo a avaliação da confederação, choques geopolíticos tendem a pressionar a inflação e, por consequência, reduzir o ritmo do PIB — e é justamente um PIB menor que mais penaliza a demanda por seguros, afetando prêmios e captações.
A projeção de 2026 parte de premissas específicas: crescimento do PIB na casa de 2%, inflação em 4,08% e taxa Selic próxima de 12,5% ao fim do ano. Paralelamente, a CNseg associa parte do desempenho fraco de 2025 e à previsão menos favorável para 2026 à taxação do IOF sobre planos de previdência: a captação caiu cerca de 20% em 2025 ante 2024, e a confederação projeta nova retração de 4,5% para 2026, efeito que classifica como derivado da medida tributária.
O quadro reúne riscos domésticos e externos que reduzem margem de manobra do setor. Para o mercado, trata‑se de um sinal de alerta: decisões fiscais que elevam a carga sobre produtos de previdência podem gerar receita no curto prazo, mas corroem o mercado de longo prazo e a profundidade de poupança privada. Somado à incerteza geopolítica, o cenário exige cautela dos players e pressiona a necessidade de ajustes de estratégia para evitar que o crescimento projetado se transforme em expectativa frustrada.