O setor têxtil elevou o tom nas negociações com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços ao responsabilizar a retirada da cobrança sobre pequenas importações por agravar a competição com produtos estrangeiros. Empresários afirmam que a medida reduziu a margem de manobra para realocar parte da produção que corre risco de perda no mercado externo para o consumidor brasileiro — alternativa que, segundo a indústria, vinha sendo considerada diante do aumento de tarifas sobre exportações.

Dirigentes da Abit alertaram que o cenário de maior desembarque de mercadorias baratas fragiliza produtores nacionais e aumenta a pressão sobre fábricas e empregos. Em suas propostas ao governo, reclamam de condicionantes que atrelam apoio à manutenção imediata de postos de trabalho, argumentando que exigências severas podem inviabilizar a tomada rápida de crédito e a operação das linhas de giro necessárias para reagir ao choque competitivo.

Além do pedido por linhas de financiamento emergencial, o setor defende a ampliação máxima possível da alíquota do Reintegra — programa que devolve parte de tributos acumulados na cadeia — como instrumento para compensar perda de competitividade. O aumento das importações em junho, que atingiu nível recorde nas estatísticas fiscais, é usado como argumento para acelerar medidas: sem resposta, dizem empresários, há risco de perda permanente de participação no mercado doméstico.

Politicamente, o episódio acende o alerta para o governo: a mudança tributária que facilitou compras no exterior traz custo real à indústria nacional e força uma resposta que combine liquidez, incentivos fiscais e regras menos rígidas para acesso à ajuda. A reação oficial nas reuniões do MDIC será medida de resistência ou acomodação a pressões setoriais que podem ter impacto sobre emprego e cadeia produtiva nos próximos meses.