A prefeitura do Rio divulgou estimativas ambiciosas para o show gratuito de Shakira em Copacabana, previsto para 2 de maio: cerca de 2 milhões de pessoas e um impacto econômico de quase R$ 800 milhões. O estudo oficial detalha ainda a composição do público — 13,9% turistas nacionais (278 mil), 1,6% estrangeiros (32 mil) e 84,6% moradores locais — e apresenta ticket médio por visitante conforme a origem.
Além do fluxo de pessoas, o levantamento municipal valoriza a exposição internacional: US$ 250 milhões em mídia espontânea, ou cerca de R$ 1,3 bilhão segundo a prefeitura. A administração lembra que as duas edições anteriores do festival, com Madonna e Lady Gaga, somaram estimativa de US$ 500 milhões em visibilidade internacional, equivalente a aproximadamente R$ 2,7 bilhões, e relaciona esses números com aumentos de arrecadação observados em 2024 e 2025.
Os ganhos diretos em imposto sobre serviços também são citados: em maio de 2025 a cidade arrecadou R$ 66,8 milhões — alta real de 23,2% ante maio de 2023 — e houve crescimento de 8,2% frente a maio de 2024, traduzido em R$ 5,1 milhões adicionais. Esses dados sustentam o argumento oficial de que grandes eventos dinamizam cadeias produtivas e geram empregos ao longo do ano.
Mas a conta não é automática. A divulgação peca por pouca transparência metodológica: o resumo público não detalha como foram calculados ticket médio, permanência média ou o valoração da mídia espontânea. Sem esse detalhamento, fica difícil avaliar o equilíbrio entre ganhos e custos — serviços de segurança, limpeza, logística e o impacto sobre a rotina urbana — e saber quem arca com as despesas. Politicamente, os números reforçam a narrativa de promoção turística, mas ampliam a pressão por prestação de contas: a cidade pode colher visibilidade e receita, mas também terá de justificar os custos e a escolha por priorizar grandes shows em detrimento de outras demandas públicas.