A varejista de moda rápida Shein registrou um encolhimento brusco no lucro no segundo trimestre: o lucro líquido ajustado foi de US$ 228 milhões, queda de 67% em relação ao mesmo período do ano anterior, e a margem caiu para 2,1% ante 6,2% um ano antes. A receita total do trimestre foi de US$ 11,08 bilhões, com recuo de 13,9% nas vendas na Europa (US$ 3,77 bilhões) e queda de 6% nos EUA (US$ 2,5 bilhões), enquanto o crescimento na América Latina foi responsável por segurar o resultado agregado, que subiu apenas 0,9% ano a ano.

A deterioração das margens foi atribuída principalmente à alta dos custos logísticos: a empresa reportou incremento de 18,1% nas despesas de logística, resultado do aumento dos preços do combustível de aviação e do frete nas rotas para o Oriente Médio, além da pressão de novas taxas na Europa. Analistas da Jefferies afirmaram que o resultado ficou bem abaixo das expectativas implícitas no prospecto da oferta pública, e o mercado reagiu com ceticismo às primeiras demonstrações financeiras da companhia como empresa listada.

Em reação aos desafios operacionais, a Shein tem buscado reforçar estoques e capacidade de distribuição na Europa, com investimentos em centros de armazenagem na Polônia, e anunciou planos para migrar parte do portfólio para marcas de preço médio e alto, além de explorar aquisições. A empresa admitiu que as novas tarifas europeias por categoria — e uma taxa adicional de manuseio prevista para encomendas de baixo valor — podem ter impacto relevante sobre seu modelo baseado em preços ultrabaixos e entregas por via aérea.

Os números acendem alerta sobre a sustentabilidade do modelo ultrabarato diante de custos fixos e regulatórios crescentes. A combinação de compressão de margem, necessidade de investimentos em logística e esforço para reposicionar mix de produtos complica a narrativa de crescimento fácil e já se refletiu em queda de 27,3% nas ações desde a estreia em Hong Kong. Para investidores, o desafio é claro: transformar escala e penetração em rentabilidade sustentável sem repassar integralmente os custos ao consumidor e sem sacrificar a proposta de valor que consolidou a marca.