A Shein iniciou na segunda-feira um julgamento de duas semanas na Alta Corte de Londres em que acusa a rival Temu de violar direitos autorais “em escala industrial”, alegando o uso de milhares de fotografias para promover cópias de peças da sua marca própria. A Temu rebate que a ação tem caráter anticompetitivo, uma tentativa de limitar a concorrência por meio do judiciário.
O caso faz parte de uma batalha legal global entre as duas plataformas de fast‑fashion — que se expandiram rapidamente com produtos de baixo custo — e inclui litígios paralelos nos Estados Unidos. A Temu pertence à PDD Holdings, e outro capítulo da disputa, sobre contratos de exclusividade com fornecedores, está marcado para julgamento no ano seguinte.
Além da litígio pontual, a disputa levanta questões práticas para o comércio eletrônico: como serão tratadas imagens usadas por marketplaces, a responsabilidade sobre o conteúdo de terceiros e o grau de controle que grandes plataformas podem exercer sobre cadeias de fornecimento. Para marcas e fornecedores, a decisão pode alterar incentivos contratuais e a negociação de exclusividade.
Do ponto de vista econômico e regulatório, o processo tem potencial para redefinir limites entre proteção de propriedade intelectual e concorrência em mercados digitais. Uma vitória da Shein pode estimular ações semelhantes de outras marcas; uma vitória da Temu poderia reforçar defesas de plataformas que dependem de inventários amplos e de terceiros. Em ambos os cenários, há risco de pressionar práticas operacionais e relações comerciais no setor.