A Shell anunciou acordo definitivo para adquirir a canadense ARC Resources por um valor patrimonial de cerca de US$ 13,6 bilhões — ou valor da firma aproximado de US$ 16,4 bilhões, incluindo a assunção de US$ 2,8 bilhões em dívida líquida e arrendamentos. A ARC, focada na bacia de xisto de Montney (Colúmbia Britânica e Alberta), oferece à Shell uma base adicional de produção de líquidos e gás considerada relevante para sua estratégia de recursos.
Segundo a própria companhia, a operação acrescentará imediatamente cerca de 370 mil barris de óleo equivalente por dia em produção de líquidos e gás, elevando a taxa composta anual de crescimento (CAGR) da Shell de 1% em 2025 para 4% até 2030. Pelos termos do acordo, os acionistas da ARC receberão 8,20 dólares canadenses em dinheiro mais 0,40247 ação ordinária da Shell por ação da ARC — equivalente a 32,80 dólares canadenses por papel com base no fechamento de 24 de abril —, um prêmio de 20% sobre o VWAP de 30 dias.
O financiamento do pagamento combinará US$ 3,4 bilhões em caixa com US$ 10,2 bilhões em ações da Shell, por meio da emissão de aproximadamente 228 milhões de papéis. Essa estrutura protege caixa imediato, mas implica diluição para os acionistas atuais da Shell e altera a composição de capital da empresa. A expectativa é que a conclusão ocorra no segundo semestre de 2026, condicionada a aprovações de acionistas, decisões judiciais e órgãos reguladores.
Do ponto de vista estratégico, a compra reforça a aposta da Shell em ativos de baixo custo operacional em uma das bacias de xisto mais produtivas do Canadá — algo destacado pela própria direção da companhia. Ao mesmo tempo, a operação levanta questões de coerência entre a expansão da produção de hidrocarbonetos e as ambições de descarbonização que muitas grandes petroleiras reivindicam. Há também riscos práticos: integração operacional, execução do synergies esperadas e o desafio de converter o aumento de escala em retorno acionário diante da diluição e do prêmio pago pela ARC.