A preocupação de Michael Burry com um possível cenário de bolha no mercado de ações americano ganhou destaque no episódio mais recente do quadro 'Insights da Semana', da Resenha do Dinheiro. A avaliação de Burry, figura conhecida por antecipar a crise de 2008, foi complementada por Marilia Fontes, que apontou que os valuations das empresas norte-americanas seguem em níveis considerados elevados por parte do mercado, o que aumenta a percepção de risco para quem mantém exposição a ações americanas.

Do ponto de vista prático, níveis altos de avaliação reduzem a margem de erro para os investidores: qualquer revisão de expectativas de lucro ou choque externo tende a provocar reprecificação mais abrupta. Esse quadro não se limita aos EUA: como ativos americanos ainda servem de referência global, uma correção lá pode se transmitir a mercados emergentes, afetar fluxos internacionais e pressionar carteiras com ativos dolarizados ou correlacionados.

O programa também trouxe atenção ao setor aéreo internacional. Segundo Bernardo Pascowitch, o Goldman Sachs alertou para riscos setoriais — especialmente entre companhias de baixo custo — caso o petróleo permaneça elevado por mais tempo. Nessas condições, empresas com margens apertadas podem ver esgotar sua capacidade de caixa, abrindo caminho para dificuldades financeiras, ajuste de capacidade ou pressão sobre o crédito do setor, com reflexos para fornecedores e mercados de capitais.

No front doméstico de finanças pessoais, Thiago Godoy lembrou que o prazo final para a declaração do Imposto de Renda 2026 encerra-se nesta sexta-feira (29). A perda do prazo acarreta multa inicial de R$ 165, que pode chegar a até 20% do imposto devido, alerta que reforça a necessidade de organização fiscal em um momento de maior volatilidade nos investimentos. A Resenha do Dinheiro — com apoio de B3 e BlackRock — segue propondo uma discussão prática sobre essas intersecções entre risco de mercado e planejamento financeiro.