O presidente-executivo da SK Hynix, Kwak Noh-jung, declarou que 2027 deve ser “o pior ano da história” em termos de oferta de memória. Em entrevista à Reuters, Kwak afirmou que a demanda continuará acima da capacidade produtiva da empresa por boa parte da próxima década — cenário que se desenha mesmo com a expansão acelerada da fabricante, cuja estreia na Nasdaq ocorreu no mesmo dia das declarações.
A fabricante, referência na memória de alta largura de banda (HBM) usada por fornecedores de inteligência artificial, tem ampliado investimentos globalmente. A empresa informou projetos significativos, entre eles uma fábrica de embalagens em Indiana (EUA) estimada em cerca de US$ 4 bilhões e um programa de US$ 10 bilhões para soluções de IA. Kwak também citou Estados Unidos, Japão e Sudeste Asiático como potenciais destinos para novas fábricas, condicionando decisões a custos de produção, disponibilidade de terreno, energia, água e mão de obra qualificada.
O governo sul-coreano traçou um plano para dobrar a capacidade doméstica de chips de memória em cinco anos, com aportes bilionários de fabricantes como SK Hynix e Samsung — cada uma prevista para investimentos da ordem de 400 trilhões de wones. Essa estratégia, embora destinada a assegurar oferta e liderança tecnológica, tem gerado apreensão entre investidores que temem exposição financeira caso a economia global entre em recessão e a procura por chips desacelere.
Do ponto de vista econômico, a combinação entre demanda acelerada e oferta restrita tende a pressionar preços e a intensificar competição geopolítica por instalações produtivas. Para clientes como data centers e empresas de IA, o aperto de oferta pode significar custos mais altos e maiores riscos de gargalos. Para governos e empresas, o desafio será equilibrar incentivos industriais e controle de risco financeiro, enquanto o setor testa a capacidade real de expansão sem comprometer sustentabilidade operacional.