Em entrevista à CNN Brasil, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, criticou a condução do governo federal nas discussões sobre o possível fim da escala 6x1, classificando o processo como pouco transparente. Skaf reforçou que o Estado, com limitações fiscais, não deveria adotar postura paternalista e intervir de forma genérica nas relações de trabalho.

Skaf chamou atenção para a composição das empresas que adotam a escala: segundo ele, a prática é mais comum entre grandes empregadores do que nas micro e pequenas empresas. A observação aponta para um problema político: medidas aprovadas sem diálogo com setores produtivos tendem a gerar resistência e a criar efeito contrário ao pretendido.

O presidente da Fiesp advertiu ainda que o engessamento das regras trabalhistas pode deslocar parte das atividades para a informalidade, ampliando riscos sociais e reduzindo arrecadação. Do ponto de vista econômico, restrições rígidas nas escalas podem elevar custos e reduzir flexibilidade operacional em setores que dependem de organização por turnos.

Além do mérito técnico, a proposta de tratar escalas de trabalho em nível constitucional provoca questionamentos institucionais e simbólicos: é um sinal de endurecimento legislativo que conflita com o discurso de priorizar negociação coletiva e flexibilidade. A crítica da Fiesp acende alerta sobre o custo político e econômico de decisões tomadas sem clareza e sem negociação prévia.