Paulo Skaf, presidente da Fiesp, afirmou nesta terça que é contrário a uma discussão sobre a redução da escala 6x1 quando ela for conduzida com cálculo político e motivação eleitoral. Em entrevista coletiva, disse não ser contra o debate, mas que ele precisa ocorrer de forma responsável e sem contaminação partidária.

Skaf ressaltou que alterações na jornada de trabalho exigem análise técnica e diálogo com os setores afetados. Segundo o dirigente, decisões tomadas às pressas podem reduzir a flexibilidade necessária para segmentos distintos, aumentar custos para a indústria e impor regras inflexíveis que não se aplicam igualmente a todas as atividades.

O recado tem dimensão política: ao pedir que o Senado trate o tema "com mais serenidade, responsabilidade" e sem pressa, a Fiesp busca blindar o setor produtivo de medidas que, na sua avaliação, poderiam onerar empresas e empregos. Trata-se de um alerta para parlamentares sobre o custo econômico e institucional de transformar uma pauta técnica em instrumento eleitoral.

A posição de Skaf aponta para o choque entre demandas por proteção ao trabalho e preocupações com competitividade. A Fiesp cobra audiências com sindicatos, empresas e especialistas antes de qualquer encaminhamento — sinal claro de que, para a indústria, o debate precisa ser plural e fundamentado, não acelerado por calendário político.