O agronegócio brasileiro começa a abandonar um ciclo prolongado de baixa e mostra sinais de recuperação, segundo avaliação de Aurélio Pavinato, diretor-presidente da SLC Agrícola. Em entrevista e no Fórum CEO Brasil, Pavinato destacou que os principais produtos — da soja ao açúcar — já operam em patamares superiores aos vistos no início do ano, na ordem de 15% a 30%. Para o executivo, o setor mantém papel estratégico na segurança alimentar global e avança com ganhos de produtividade que vêm desde a revolução tecnológica das últimas cinco décadas.
Apesar do repique nos preços, o setor enfrenta custos mais altos, especialmente em fertilizantes, pressionados por choques internacionais. Pavinato reforça que o Brasil continua exportando grande parte da produção — cerca de metade dos grãos — e que a política de isenção de tributos sobre exportações é um diferencial competitivo. Ao mesmo tempo, ele aponta que o aumento de tarifas impacta sobretudo os fluxos dirigidos aos Estados Unidos e que medidas não tarifárias impostas por EUA e União Europeia, muitas vezes de natureza ambiental, representam desafios a serem geridos.
A resposta proposta pela SLC é pragmática: diversificar mercados e aproveitar janelas comerciais para compensar eventuais perdas de acesso. No plano climático, o executivo citou o El Niño como um fator de efeitos regionais distintos — chuvas reforçadas no Sul e menor precipitação no Centro-Norte — e lembrou que, globalmente, o fenômeno já tem causado quebras na Europa e stress hídrico em outras regiões. Essa volatilidade tende a ampliar oscilações de preço e gerar oportunidades para produtores que monitoram e atuam estrategicamente no mercado.
A avaliação da empresa oferece uma lição clara para o setor e para a política pública: a retomada de preços melhora a dinâmica de receita, mas não elimina riscos estruturais. A necessidade de abrir novos mercados, ajustar cadeias logísticas, investir em certificações ambientais e gerenciar custos de insumos impõe agenda de competitividade. Para o governo, manter um ambiente de exportações desoneradas ajuda, mas não substitui negociações comerciais e políticas que facilitem o acesso a compradores mais exigentes e reduzam a exposição a barreiras não tarifárias.