A Snap informou que fará cortes de aproximadamente 1.000 funcionários, número que inclui cerca de 16% da equipe em tempo integral, além do fechamento de mais de 300 posições em aberto. A empresa atribui a decisão a ganhos de produtividade promovidos pela adoção de inteligência artificial: segundo a companhia, a IA já gera mais de 65% do novo código, permitindo trabalhar com equipes menores.
A reestruturação ocorre semanas após pressão do investidor ativista Irenic Capital Management, que detém cerca de 2,5% da Snap e cobrou otimização do portfólio e redução de custos. Entre os alvos do ativista está a divisão de óculos de realidade aumentada, que recebeu mais de US$ 3,5 bilhões em investimentos e gerou perdas anuais estimadas em cerca de US$ 500 milhões, segundo o próprio acionista.
No mercado, a reação foi imediata: por volta das 15h55 (horário de Brasília) as ações subiam mais de 8%, apesar de o papel acumular queda próxima de 30% no ano. A Snap projeta que a receita do primeiro trimestre cresça cerca de 12%, para US$ 1,53 bilhão, e prevê um Ebitda ajustado em torno de US$ 233 milhões — acima das expectativas de Wall Street. A empresa estima encargos únicos de US$ 95 milhões a US$ 130 milhões relacionados às demissões, concentrados no segundo trimestre.
O anúncio alivia investidores no curto prazo, mas deixa dúvidas sobre sustentabilidade e competitividade do negócio. Reduzir quadro e apostar em IA pode cortar despesas, mas também pesa sobre moral, capacidade de inovação e execução de projetos ambiciosos, como os óculos AR. A pergunta que fica é se economias pontuais transformarão a Snap em uma empresa mais lucrativa e com geração de caixa consistente a longo prazo.