A agência S&P Global Ratings rebaixou a nota de crédito do BRB de brB-/brB para brCCC+/brC, marcando o segundo corte em pouco mais de dois meses — o anterior ocorreu em 19 de março de 2026. Para a S&P, o movimento reflete a crescente incerteza sobre a execução do plano de capitalização estimado entre R$ 6 bilhões e R$ 8 bilhões, que passou a ser o principal desafio para a sustentabilidade da instituição.

No relatório, a agência aponta que o quadro do banco se deteriorou desde a Operação Compliance Zero, em novembro de 2025. A sequência de problemas inclui a compra de ativos fraudulentos vinculados ao Banco Master, investigações sobre condutas de executivos, fragilidades de governança, conflitos de interesse e falta de transparência — agravada pelo fato de o BRB não publicar demonstrações financeiras desde setembro de 2025.

O plano de recuperação do BRB prevê monetização de ativos via acordo com a Quadra Capital, securitização da dívida ativa do Distrito Federal e um empréstimo do FGC ao governo do DF. A S&P, porém, alerta que essas medidas demandam estruturação complexa e podem esbarrar em impasses legislativos e judicializações, sobretudo em ano eleitoral, quando há maior pressão sobre as contas do DF. Descompassos no cronograma ou insuficiência de recursos podem elevar o risco de liquidação da instituição.

Apesar do corte, a agência mudou a posição do CreditWatch de negativa para “em desenvolvimento”, sinalizando que há progresso nas iniciativas de capitalização. Para o rating ser revertido, a S&P exige execução tempestiva e em volume suficiente da capitalização, publicação das demonstrações atrasadas e esclarecimentos sobre o impacto das investigações. Caso essas condições não se cumpram, a instituição permanece vulnerável a novos rebaixamentos e a ampliação do custo de captação.