Trecho do pedido de oferta pública inicial (IPO) da SpaceX, analisado pela Reuters, revela que a empresa informou a potenciais investidores que o conselho não precisará ter maioria de diretores independentes. A informação reforça a estratégia de Elon Musk de preservar controle sobre a fabricante de foguetes e inteligência artificial, mesmo com a abertura de capital estimada em US$ 1,75 trilhão, prevista para meados do ano.

O registro diz que a SpaceX manteria o status de "empresa controlada" após o IPO, dispensando, em tese, comitês independentes de remuneração e nomeação; exige apenas que o comitê de auditoria seja formado por diretores independentes. A companhia ainda pode, voluntariamente, nomear conselheiros externos — precedentes como a Meta mostram que o rótulo de controlada não impede, na prática, a presença de independentes na diretoria.

Analistas de governança apontam que a concentração de poder levanta sinais de alerta para investidores. A Reuters já havia informado que Musk e um grupo restrito detêm ações com direito a voto que superam os demais acionistas. Há ainda memória recente de atritos: críticas sobre a independência do conselho da Tesla e uma disputa judicial relacionada a um pacote de remuneração bilionário que teve decisões conflitantes em 2024.

Do ponto de vista prático, o status de controlada pode dar mais flexibilidade para acordos de remuneração e reduzir algumas barreiras regulatórias, na avaliação de especialistas citados no documento. Mas também expõe a empresa a questionamentos sobre supervisão, transparência e equilíbrio entre poder executivo e proteção aos acionistas — fatores que investidores institucionais certamente vão considerar ao avaliar a oferta.