A abertura de capital da SpaceX na bolsa de Nova York, considerada o maior IPO da história, reposicionou imediatamente a empresa entre as gigantes de tecnologia: avaliação de US$ 2,26 trilhões ao fim do pregão e lugar entre as sete maiores dos EUA, à frente da Meta e ainda abaixo de outras líderes como a Tesla. As ações estrearam a US$ 150, chegaram a US$ 176,52 e fecharam o primeiro dia a US$ 161,11; na sessão seguinte terminaram a US$ 185, quase 15% acima da estreia.
O valor recorde reflete não só os negócios espaciais tradicionais, mas a diversificação empreendida por Elon Musk: fusão operacional com a Starlink em 2021, a compra do Twitter (hoje X) por US$ 44 bilhões em 2022 e a integração com a xAI, movida a promessas de uma nova frente em inteligência artificial. Em etapas anteriores o grupo já foi creditado com valuations bilionários — a SpaceX chegou a figura como negócio de US$ 1 trilhão enquanto a xAI foi estimada em US$ 250 bilhões.
A estratégia de expansão, no entanto, tem custo claro no curto prazo. Em 2025 os gastos com IA superaram US$ 12 bilhões, ante cerca de US$ 4 bilhões em projetos espaciais e outros US$ 4 bilhões em conectividade; analistas da Oppenheimer projetam que os investimentos em IA da companhia podem superar US$ 49 bilhões neste ano. Na última semana a SpaceX anunciou a compra da Anysphere por US$ 60 bilhões, movimento que reforça a guinada para o mercado empresarial de IA.
O quadro foge ao brilho do IPO quando se consideram os resultados operacionais: prejuízo próximo de US$ 5 bilhões no ano passado sobre receita de US$ 18,7 bilhões, e um incremento de mais de US$ 4,3 bilhões nas perdas nos primeiros três meses deste ano. O entusiasmo do mercado parece apostar numa visão de futuro — estimativa interna de um mercado de IA corporativa de US$ 22,7 trilhões — e não nos resultados correntes, o que aumenta a exposição de investidores com perfil menos tolerante a riscos.
Do ponto de vista prático, a operação expõe riscos e efeitos concretos: valorização que pressiona a composição dos grandes índices, necessidade contínua de financiamento externo e potencial diluição para sustentar aquisições e P&D. Para investidores, trata‑se de uma aposta em crescimento estrutural e não em rentabilidade imediata; para o mercado, é um sinal de apetite por narrativas futuristas, mas também um lembrete de que exuberância sem disciplina financeira pode encarecer o custo de capital e testar a paciência dos acionistas.