A SpaceX fez nesta sexta-feira o maior IPO já registrado nos Estados Unidos, abrindo negociação na Nasdaq às 10h30 (horário de Brasília). As ações estrearam a US$ 150, subiram até US$ 176,52 durante o pregão e fecharam a US$ 161,11 — alta de 19,34% em relação ao preço de oferta de US$ 135 —, elevando o valor de mercado da companhia para mais de US$ 2 trilhões e consolidando, segundo relatos, o status de Elon Musk como o primeiro trilionário do mundo.

O entusiasmo dos investidores, porém, vem acompanhado de alertas de analistas financeiros. A avaliação corrente no mercado depende fortemente de expectativas de crescimento futuro: a SpaceX atua em três frentes — lançamentos espaciais, conectividade via Starlink e projetos ligados à inteligência artificial —, mas só a Starlink aparece hoje como geradora consistente de caixa, enquanto exploração espacial e iniciativas de IA ainda operam no vermelho e demandam investimentos bilionários.

Para Marcelo Cabral, gestor da Stratton Capital, a integração entre essas frentes é a principal força estratégica da empresa, mas não elimina a necessidade de financiamento externo para sustentar a expansão. Alan Frydman, da Genial Investimentos, resume a lógica do mercado: comprar a ação é apostar numa visão de futuro e na capacidade de execução de Musk, não nos resultados atuais.

Do ponto de vista de risco-retorno, especialistas como Virgílio Lage, da Valor Investimentos, consideram o valuation pouco atraente no curto prazo — a precificação reflete mais o hype em torno de IA e da figura de Musk do que fluxo de caixa comprovado. Pablo Alencar, da Valor Capital, vê oportunidade para investidores com horizonte longo, lembrando que a empresa tende a se posicionar em mercados estratégicos na próxima década, caso consiga executar o ecossistema desejado.

A lição para o mercado é dupla: há, sim, um potencial relevante, sobretudo se Starlink consolidar receitas e a divisão de IA progredir; mas a estreia bilionária também amplia a exposição dos investidores a riscos financeiros e de governança concentrada. Em síntese, a operação acende um alerta para investidores que precisam avaliar tolerância a perdas, horizonte de investimento e a persistente dependência de financiamento e da liderança pessoal de Elon Musk.