A SpaceX faz nesta sexta-feira sua estreia em Wall Street com o maior IPO já registrado na bolsa americana. A oferta inicial de 555,56 milhões de ações a US$ 135 fixa uma avaliação próxima de US$ 1,77 trilhão e mobiliza 23 instituições financeiras, entre elas Goldman Sachs, Morgan Stanley, BofA, Citigroup e JPMorgan. O BTG Pactual aparece como único banco brasileiro na operação, segundo o prospecto.
Apesar da entrada em mercado aberto, a estrutura acionária preserva amplo controle de Elon Musk: ele manterá metade das ações totais e cerca de 82,4% do poder de voto por meio de papeis de Classe B. Esse desenho de governança levanta questões naturais sobre proteção a acionistas minoritários e os riscos de decisões concentradas em torno de uma única liderança.
O movimento também expõe contradição entre avaliação e fundamentos: a SpaceX reportou receita de US$ 4,69 bilhões no último balanço, com prejuízo de US$ 1,27 por ação (ante perda de US$ 0,18 no ano anterior). A demanda de varejo foi estimada em cerca de US$ 70 bilhões, mas a expectativa é que apenas 20% desse total seja inicialmente atendida — fator que pode ampliar volatilidade no preço das ações.
Para investidores brasileiros, a B3 disponibilizará BDRs com paridade 1 para 15 (código SPCX34), com preço estimado entre R$ 50 e R$ 70, permitindo acesso sem conta no exterior. O IPO histórico amplia o alcance global do império de Musk — que integra Starlink, xAI e outros negócios — e reforça debates sobre concentração de riqueza, avaliação das empresas de tecnologia e os limites da governança em companhias tão centralizadas.