A SpaceX informou à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) que fixou em US$ 135 o preço por ação para sua oferta pública inicial, divulgada na quarta-feira (4). Com isso, a empresa de Elon Musk pretende arrecadar cerca de US$ 75 bilhões — o maior IPO da história — e estrear na Nasdaq com avaliação aproximada de US$ 1,75 trilhão. O preço foi confirmado após reuniões prévias com investidores e antecede um roadshow que começa na quinta-feira, com a precificação final prevista para 11 de junho e início das negociações em 12 de junho.

A operação quebra práticas convencionais de mercado: a SpaceX expandiu a participação de investidores de varejo nas alocações, pressionou por inclusão antecipada em índices e estruturou classes de ações que preservam o controle de Musk. Mesmo após o IPO, Musk seguirá controlando parcela relevante das ações e 82,4% do poder de voto, segundo o registro. Bancos internacionais trabalharam para alcançar compradores individuais locais, em vez de focar só nos grandes gestores tradicionais, ampliando o apelo do negócio a um público mais amplo.

Do ponto de vista financeiro, a oferta levanta questões centrais. A empresa reportou prejuízo líquido de US$ 4,94 bilhões em 2025, mesmo com receita crescendo 33%, para US$ 18,67 bilhões; a avaliação pretendida implica múltiplos de receita muito elevados — estimados na ordem de ~90x por analistas do setor — e pouca comparabilidade no mercado público. Apesar da corrida em Wall Street por participação e das elevadas comissões envolvidas, a alta avaliação pode se traduzir em volatilidade no pós-listagem caso a execução operacional não acompanhe as expectativas.

Para investidores e reguladores, o IPO da SpaceX é um teste: até que ponto o prestígio de Musk e a narrativa de tecnologia disruptiva justificam uma avaliação sem precedentes? A combinação de governança concentrada, ausência de pares públicos claros e múltiplos esticados impõe necessidade de cautela. Politicamente e institucionalmente, o sucesso imediato do IPO pode reforçar poder financeiro e influência de um empreendedor já central na cena global; em sentido oposto, uma correção de preço pressionaria bancos, investidores de varejo e a confiança em modelos de avaliação extrapolados.