A euforia em Wall Street com a SpaceX tem impulsionado projeções audaciosas: após abrir o capital com avaliação de cerca de US$ 1,7 trilhão e subir para US$ 1,9 trilhão, alguns analistas estimam um teto superior a US$ 10 trilhões. O otimismo assenta na expectativa de escala operacional e na promessa de reduzir drasticamente o custo de acesso ao espaço, mesmo com a empresa sem perspectiva de gerar fluxo de caixa livre por pelo menos uma década.

Relatos de mercado citam estimativas do Morgan Stanley sobre o Starship: ~50 lançamentos em 2027, escalando para até 6.000 em 2040, o que implicaria colocar cerca de 600 mil toneladas métricas em órbita em um único ano. Para atingir esse patamar, a empresa precisaria de uma frota superior a 200 veículos Starship e aproximadamente 8 mil motores. A redução do custo por quilo, de milhares para centenas de dólares, é o principal motor econômico desse cenário.

Além da economia de escala, analistas destacam a estrutura produtiva da SpaceX: fabricação interna de cerca de 90% dos componentes, segundo relatório citado pela RBC, frente a fabricantes tradicionais que dependem mais de fornecedores. A visita de analistas à Starbase, no Texas, ressaltou níveis incomuns de automação e industrialização — fatores que, na hipótese de execução, podem acelerar a expansão. Preço-alvo indicado por Ken Herbert (RBC) e Adam Jonas (Morgan Stanley) variam entre US$ 225 e US$ 300; o consenso médio aponta US$ 242, equivalente a cerca de US$ 3,2 trilhões.

Do ponto de vista de mercado, a combinação entre avaliação elevada e horizonte longo até geração de caixa real acende alerta. A tese de investimento depende inteiramente de execução técnica, aumento exponencial de capacidade e controle de custos e cronogramas — tarefas sujeitas a atrasos e riscos técnicos. Para investidores e alocadores de capital, a narrativa é clara: ou a SpaceX entrega escala inédita, justificando múltiplos estratosféricos, ou o preço atual embute riscos que podem resultar em forte correção.