Um estudo da empresa de pesquisa Apptopia divulgado nesta quinta-feira revela que Brasil e Argentina já representam mais de 20% da base global de usuários da Starlink, a rede de internet por satélite do bilionário Elon Musk. Segundo o levantamento, o Brasil respondeu por cerca de 13% do total global — ante menos de 5% um ano antes — enquanto a Argentina registrou aumento de 159% de usuários no primeiro trimestre em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Os dados mostram aceleração significativa: downloads do aplicativo e usuários ativos mensais (UAM) mais que dobraram globalmente no primeiro trimestre, com quatro trimestres consecutivos de crescimento de UAM acima de 100%. A base de assinantes da Starlink ultrapassou a marca de 10 milhões em fevereiro. Nos Estados Unidos, maior mercado da empresa, os downloads do app mais que triplicaram, alcançando 1,2 milhão no trimestre.
O avanço na América do Sul tem impacto direto no mercado local de telecomunicações. A penetração rápida da Starlink levanta questões sobre competição com operadoras tradicionais, dinâmica de preços e acessibilidade, especialmente em áreas rurais onde alternativas terrestres são limitadas. Também implica desafios regulatórios: autoridades precisarão avaliar padrões de licenciamento, qualidade de serviço e possíveis distorções concorrenciais.
Há ainda um componente financeiro estratégico: o mercado espera a listagem da SpaceX, cuja avaliação projetada depende fortemente do desempenho da Starlink. O crescimento regional alimenta a narrativa de alto potencial de receita, mas também aumenta o escrutínio de investidores sobre sustentabilidade de expansão e margens por mercado. Para o setor público, o avanço da Starlink exige acompanhamento técnico e fiscal para garantir benefícios ao consumidor sem fragilizar a infraestrutura e a concorrência locais.