A Stellantis informou ao sindicato Unifor que avalia abrir negociações para vender a fábrica de Brampton, na região de Toronto — uma instalação que está paralisada desde 2024 para obras de modernização. O anúncio aumenta a tensão em torno de um projeto que havia recebido centenas de milhões de dólares de apoio público para garantir a produção local do novo Jeep Compass a partir de 2026.
A guinada da montadora tem relação direta com a pressão promovida pela administração dos EUA, que no ano passado estimulou o retorno de fábricas para solo americano e impôs tarifas sobre veículos importados. Ottawa tenta, em paralelo, negociar com Washington a redução dessas barreiras, enquanto considera ações legais para recuperar os subsídios direcionados à reestruturação de Brampton.
A presidente da Unifor, Lana Payne, disse que a decisão da empresa prejudica os trabalhadores e que a divulgação da intenção de venda era necessária para que os membros saibam os riscos à sua frente. No ápice da operação, a planta chegou a empregar cerca de 3.000 pessoas. A Stellantis afirmou que não comentaria detalhes por conta das negociações salariais, insistindo que busca uma solução de manufatura sustentável para Brampton.
O caso expõe um nó político e econômico concreto: recursos públicos investimentos e empregos agora estão vulneráveis a mudanças estratégicas motivadas por pressões externas. Ottawa terá de cobrar transparência e mecanismos de reembolso; o episódio também coloca sob escrutínio a eficácia das políticas industriais canadenses diante de incentivos e retaliações comerciais dos EUA.