O superávit comercial da União Europeia com o resto do mundo encolheu 60% em fevereiro, segundo dados do Eurostat. No mês, as exportações da UE caíram 9,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as importações recuaram 3,5%. A redução mais expressiva veio das vendas para os Estados Unidos, com queda de 26,4%; as importações vindas dos EUA diminuíram 3,2%. O relatório também indica recuo nas exportações para a China.
O gabinete estatístico destaca um efeito direto das medidas tarifárias americanas sobre o fluxo comercial. Exportadores europeus haviam antecipado embarques no início de 2025 temendo medidas protecionistas, o que inflou números temporariamente e ajuda a explicar a forte reversão em fevereiro. No campo jurídico, a Suprema Corte dos EUA derrubou em 20 de fevereiro a versão mais ampla das tarifas de Trump; dias depois, porém, os EUA reagiram com uma nova taxa global temporária e anunciaram reestruturação das tarifas.
O episódio acende alerta sobre a exposição das cadeias de valor europeias a choques regulatórios e à volatilidade da política comercial americana. Menores receitas de exportação pressionam margens da indústria, complicam planos de recuperação e aumentam a incerteza para investidores e exportadores. Para a UE, trata-se de um sinal de que contratos e previsões comerciais podem ser fragilizados por decisões externas, exigindo ajustes na estratégia de diversificação de mercados.
Na pista política, os números reforçam a necessidade de resposta coordenada entre Bruxelas e capitais nacionais para mitigar impacto e retomar confiança dos empresários. A leitura do Eurostat é um retrato do momento — indica desgaste e risco de desalinhamento entre interesses industriais e ambiente regulatório internacional, sem, contudo, decretar tendência definitiva para o resto do ano.