O setor supermercadista voltou a pressionar por uma revisão do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), segundo posicionamento da Abras apresentado no Apas Show. A entidade defende que o modelo atual de vales — alimentação e refeição — concentra mercado em poucas bandeiras, eleva custos para empregadores e reduz a liberdade de escolha de empresas e consumidores.

A proposta central é ampliar a interoperabilidade entre operadores de benefícios para estimular competição e reduzir encargos no sistema. Para a Abras, a modernização do PAT não é tema técnico isolado: mexe diretamente no fluxo de compras do varejo alimentar, sobretudo num cenário de renda comprimida e sensibilidade maior a preços.

Na mesma intervenção, a associação associou a discussão do PAT a uma proposta de mudança gradual nas regras da jornada de trabalho, com foco no debate sobre o fim da escala 6x1. A sugestão é manter a carga de 44 horas durante a transição e implementar a nova escala de forma escalonada, em prazo que a entidade estima entre seis e dez anos, para evitar impacto operacional e elevação abrupta dos custos.

Abras também vinculou a agenda à chamada PEC do Horista e a argumentos de formalização: a entidade defende formatos contratuais mais flexíveis como instrumento para incorporar trabalhadores de plataformas, apontando mais de 5 milhões de profissionais ligados a esse universo. Para o setor, mudanças sem período de adaptação ampliariam pressões sobre preços e sobre a capacidade de atendimento em operação contínua.

O recado tem implicações políticas e econômicas claras. A abertura maior do mercado de vales pode beneficiar consumidores e reduzir custos, mas enfrenta grupos consolidados e exige regulação para evitar concentração inversa ou perda de direitos. Já a proposta de transição nas jornadas busca minimizar choque imediato de custos — mas será objeto de disputa entre empregadores, trabalhadores e Congresso, com impacto direto no custo do trabalho e na dinâmica de preços no supermercado.