A Suzano mantém o abastecimento de clientes no Oriente Médio mesmo com a região em conflito, reafirmando que assegurar fornecimento hoje é peça central na relação de longo prazo com compradores. A companhia exporta cerca de 80% da produção e atende mais de 100 países, o que transforma logística em variável estratégica para preservar contratos e confiança comercial.

Na entrevista ao Capital Insights, o CEO Beto Abreu destacou que a empresa busca construir confiança além da transação financeira ao garantir suprimentos dos clientes. Esse papel ganhou contornos geopolíticos: a relevância da celulose brasileira chegou a ser reconhecida em decisões comerciais externas, como a isenção de tarifas dos Estados Unidos, e aumenta a exposição da cadeia a câmbio, preço do petróleo e rupturas logísticas.

O principal trunfo apontado pela Suzano é o controle de custos: a empresa afirma produzir a US$ 150 por tonelada, um diferencial que gera resiliência quando preços da commodity caem e concorrentes de maior custo interrompem produção. Ao mesmo tempo, a companhia tem adotado investimentos seletivos e monitora riscos diariamente, mantendo alternativas de financiamento — foi a primeira empresa brasileira a emitir Panda Bonds na China.

Há, porém, elementos que pressionam a competitividade e o custo de capital. Cerca de metade da dívida da Suzano está atrelada a indicadores ESG; uma meta não alcançada em emissões vinculadas ativou gatilhos para juros maiores. A empresa sustenta que gera 100% da energia que consome e que a absorção de carbono supera suas emissões, mas a ligação entre metas socioambientais e custo financeiro introduz volatilidade extra em um momento de risco geopolítico elevado. Para o setor, isso reforça a importância de políticas públicas que preservem eficiência logística e estabilidade macro, essenciais para transformar a vantagem natural do Brasil em vantagem comercial concreta.