A Suzano divulgou resultados do segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 1,8 bilhão, queda de 64% em relação ao mesmo período de 2025. A receita líquida somou R$ 11,5 bilhões (-13%) e o Ebitda ajustado caiu 23%, para R$ 4,7 bilhões. A companhia encerrou o trimestre com dívida líquida de US$ 12,8 bilhões.

A diretoria atribui a maior parte da compressão do lucro ao resultado financeiro, especialmente à variação monetária e cambial sobre a dívida, e não a um problema operacional. O CFO enfatizou que o desempenho operacional foi relativamente sólido: volumes de papel e celulose registraram crescimento sequencial e o fluxo de caixa livre subiu 27% no trimestre, impulsionado por menor Capex, liberação de capital de giro e vendas de ativos não estratégicos.

Parte do recuo nas vendas de celulose veio da concentração de paradas programadas para manutenção — cerca de metade das fábricas esteve fora temporariamente —, o que reduziu produção e volume disponível para venda. Ainda assim, a empresa manteve estoques em patamar equilibrado e captou melhora de preços em mercados como Europa e EUA ao longo do trimestre.

No plano estratégico, a joint venture Arbex, com a Kimberly‑Clark, foi concluída em 1º de julho e passará a ser consolidada no terceiro trimestre, com receita estimada em US$ 3,5 bilhões e Ebitda projetado em cerca de US$ 500 milhões. A gestão aposta que a operação vai diversificar geograficamente as receitas e reduzir volatilidade. Na avaliação jornalística, os dados mostram que a Suzano conseguiu preservar geração de caixa operativa, mas segue vulnerável a choques cambiais devido ao nível de endividamento; a consolidação da Arbex é uma resposta relevante, mas o efeito só aparecerá plenamente a partir do próximo trimestre — cenário que investidores e credores acompanharão de perto.