A tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos atinge quase toda a cadeia da madeira processada brasileira — de molduras e compensados a pisos, portas e paletes — e passa a valer na próxima quarta-feira. O impacto é imediato: produtos ajustados às especificações do mercado americano ficam subitamente menos competitivos.

A exposição ao mercado americano torna o choque mais severo. Segundo a Abimci, 80% da produção do setor é destinada ao exterior e cerca de 40% vai para os EUA. Em segmentos como molduras, praticamente toda a produção nacional abastece a construção norte-americana. Em 2025, as exportações de molduras caíram US$ 141 milhões frente a 2024, sinalizando perda de espaço.

O setor lembra também a experiência recente: com tarifas de 50% aplicadas em 2025, a Abimci calcula perda de aproximadamente US$ 500 milhões no comércio naquele ano, e algumas fábricas chegaram a adotar férias coletivas para frear produção. As margens apertadas impedem que empresas absorvam descontos para neutralizar a tarifa, e concorrentes do Chile, Malásia, Alemanha e China podem ocupar fatias do mercado brasileiro.

Produtores e associações deverão se reunir nos próximos dias para definir providências e acompanhar possível nova lista de exceções dos EUA. Enquanto isso, a decisão expõe fragilidades da estratégia exportadora brasileira e acende um alerta sobre a concentração de mercado: sem alternativas de curto prazo, a indústria terá de buscar respostas que passem por diversificação, apoio comercial e pressão diplomática.