A decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre uma lista de produtos brasileiros — que inclui máquinas, plástico e pescados — acendeu um sinal de alerta para exportadores e para a diplomacia comercial do país. A medida, prevista para entrar em vigor na próxima quarta-feira (15), chega embalhada por um episódio de desgaste institucional: Brasília descartou até uma interlocução direta entre os presidentes como alternativa eficaz, e orientou que o esforço siga por canais técnicos e ministeriais.
A opção por esgotar caminhos técnicos reflete, na avaliação de observadores, a falta de resultados das tentativas políticas. Fontes que acompanham as negociações apontam sequência de prorrogações e reuniões que não produziram um plano técnico-jurídico sólido, transformando prazos de 30 dias em sucessivos adiamentos. Do lado americano, reclama-se que propostas sobre temas sensíveis — como minerais críticos — chegaram sem detalhamento técnico e sem vínculo jurídico, dificultando contrapartidas objetivas.
Ao mesmo tempo, por limitações legais e compromissos com a Tarifa Externa Comum do Mercosul e regras da OMC, o Brasil enfrenta dificuldade para oferecer concessões setoriais isoladas, o que emperra alternativas como reduções tarifárias sobre etanol, máquinas e equipamentos. A análise de quem acompanha o caso é clara: houve falta de objetividade em ambas as pontas — uma combinação de propostas pouco consistentes e de uso estratégico da tarifa como instrumento de poder, mais do que como ferramenta de regulação comercial.
O resultado é uma equação política-econômica complexa: setores exportadores ficam vulneráveis a custos adicionais e imprevisibilidade; o governo brasileiro vê sua margem de manobra reduzida e precisa apresentar uma estratégia técnica que convença parceiros e mercados; e a postura americana reforça a percepção de que tarifas podem ser empregadas com fins políticos. Se não houver mudança de tom e de conteúdo nas tratativas, a agenda comercial brasileira corre o risco de pagar o preço da falta de objetividade — em perdas imediatas para empresas e em desgaste político-diplomático.