Levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Comércio, Indústria e Serviços (Mdic) aponta que as sobretaxas impostas pelos Estados Unidos alcançam 23,1% das exportações brasileiras para aquele mercado. Deste total, 16,5% dos embarques sofrem cumulativamente uma tarifa de 25% e outra de 12,5% — somando 37,5% — em produtos que incluem madeira, máquinas e equipamentos, químicos, alimentos, calçados, móveis e confecções.
Além disso, 4,7% das exportações são atingidas exclusivamente pela sobretaxa de 12,5% (itens como minérios, obras de pedra, gesso, produtos de perfumaria, óleos essenciais e pescados) e menos de 2% recaem só sobre a tarifa de 25% — entre eles o açúcar. Em contrapartida, cerca de 52,7% das exportações seguem sujeitas apenas a tarifas ordinárias, com destaque para carnes, café, aeronaves, ferro fundido, suco de laranja e frutas.
Do ponto de vista econômico, a concentração das sobretaxas em segmentos industriais e agroindustriais cria um aperto imediato sobre margens e competitividade. Empresas exportadoras afetadas terão de escolher entre absorver custos, reduzir investimentos ou repassar preços, o que pode reduzir fatias de mercado e pressionar emprego e receita fiscal nas cadeias mais atingidas. O movimento também acende alerta para fornecedores locais e logística ligada aos setores listados.
No plano político, os números ampliam a pressão sobre o governo federal para reagir diplomaticamente e oferecer instrumentos de mitigação ao setor exportador — seja via negociação com parceiros americanos, seja por medidas de apoio interno. O dado do Mdic é um retrato do momento: sinaliza desgaste para setores expostos e exige estratégia coordenada para preservar mercados e competitividade sem prometer soluções fáceis.