Começa nesta segunda (6) a rodada de audiências do governo americano com representantes do setor produtivo sobre a proposta de tarifas contra produtos brasileiros — a última etapa de negociação antes da decisão final prevista para o dia 15. No relatório concluído sob a Seção 301, o USTR aponta várias práticas brasileiras como justificativa para a taxação, que pode chegar a 25% se não houver mudanças.

Entre as alegações mais contundentes está a atuação do Banco Central em relação ao Pix. O documento americano vê conflito de interesses ao conjugar regulação e operação do sistema, e acusa medidas que privilegiariam o Pix — gratuidade para pessoas físicas, limites a taxas cobradas de empresas e destaque visual obrigatório em aplicativos — em prejuízo de prestadores de serviços de pagamento dos EUA.

O relatório também critica acordos tarifários preferenciais do Brasil com México e Índia em setores como veículos, produtos químicos e maquinário, e entende que essas concessões reduziram a participação de produtos americanos no mercado brasileiro. Os EUA afirmam que isso cria incentivo financeiro para realocar produção para países que exportam ao Brasil com vantagem tarifária. No etanol, o USTR destaca que, após o Brasil ter passado a cobrar 18% sobre importações americanas desde 2023, as exportações dos EUA ao país caíram 87% em valor em relação ao pico de 2018, enquanto o etanol brasileiro mantém acesso ao mercado americano.

O relatório acrescenta questões de segurança jurídica e liberdade de expressão, citando ordens judiciais sigilosas para remoção de conteúdo e ameaças de multas e encerramento de operações em casos envolvendo plataformas como X e Rumble. Menciona ainda a decisão do STF de junho de 2025 sobre o Marco Civil e aponta falhas brasileiras no combate à corrupção, com referência a anulações de provas e renegociações de acordos de leniência. O sinal emitido pelo USTR acende alerta: além do impacto direto sobre exportadores e cadeias produtivas, a proposta amplia a pressão política sobre Brasília para apresentar respostas concretas antes da decisão.