A tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos passou a valer na quarta-feira (22) à 00h01, horário da costa leste americana (01h01 em Brasília). Analistas estimam que a medida incide sobre aproximadamente um quinto das exportações brasileiras para aquele mercado, o que corresponde a cerca de US$ 8 bilhões em fluxo comercial — um impacto que posiciona o Brasil entre os países mais tarifados pelos EUA, atrás apenas da China.
O efeito, porém, não é uniforme: produtos estratégicos para os EUA receberam isenção. Aeronaves e peças, por exemplo, permanecem fora da sobretaxa — um alívio para fabricantes como a Embraer, cujo comércio com os EUA soma cerca de US$ 3 bilhões anuais. Ao mesmo tempo, aproximadamente US$ 20 bilhões em exportações, como petróleo bruto e café, seguem sem tarifas adicionais. Há ainda a Seção 232, que inclui aço, madeira, veículos e cobre, sujeita a tarifas de 25% a 50% aplicadas de forma igual a todos os países.
O cenário é também condicionado a rodadas futuras: segundo analistas, próximas listas de tarifas podem ultrapassar os 25% e ter caráter cumulativo, além de variar nas exceções concedidas. Isso amplia a incerteza para cadeias produtivas e reforça a necessidade de monitoramento constante do fluxo de comércio e das negociações bilaterais.
A reação interna ao novo choque tarifário é outro ponto de atenção. Diferentemente do episódio do ano passado — quando sete estados anunciaram medidas de apoio, como linhas de crédito e antecipação de ICMS — houve redução nas iniciativas estaduais agora. A ausência de São Paulo e Santa Catarina, apontadas pela Apex como entre as mais afetadas, deixa setores mais expostos e limita instrumentos locais de mitigação. Em termos práticos, a sobretaxa tende a encarecer produtos brasileiros nos EUA, pressionar margens de exportadores e exigir uma resposta coordenada entre governo federal, governos estaduais e setor privado para reduzir danos e preservar competitividade.