Uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros imposta pelos Estados Unidos passa a vigorar na madrugada de quarta-feira (22): 00h01 no horário da Costa Leste americana — 01h01 em Brasília. Com a medida, o Brasil sobe da 13ª para a 2ª posição entre os países mais taxados pelos EUA, ficando atrás apenas da China, ainda que a tarifa média brasileira projetada fique pouco acima de 18%.
O ajuste decorre de uma investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da legislação americana. Entre as alegações que justificaram o aumento estão o impacto do Pix sobre operadores de cartões americanos e o suposto custo competitivo obtido por produtores brasileiros devido ao desmatamento. O governo brasileiro rebateu as acusações com dados sobre queda do desmatamento e desempenho das bandeiras de cartão, além de registrar superávit comercial com os EUA.
O setor produtivo acompanha com preocupação concreta. A CNI já havia registrado queda nas exportações para os EUA em 20 estados no primeiro trimestre; a Amcham estima mais de US$ 11 bilhões em vendas potencialmente afetadas — cerca de 26% do total vendido aos americanos. A Abit alerta para perda de competitividade, menor investimento e risco sobre produção e empregos, efeitos que extrapolam setores diretamente exportadores.
Politicamente, a medida amplia o custo de curto prazo para o governo: demandará estratégia clara entre cautela e resposta proporcional. A reação inicial do Executivo flutuou entre a ideia de reciprocidade e um recuo rumo a uma avaliação mais cautelosa. O desafio será traduzir pressões econômicas em medidas que preservem mercados sem escalar uma retaliação que só aumentaria incerteza para empresas e investidores.