O anúncio de tarifas de 25% por parte dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros acendeu um sinal de alerta para o setor exportador. Em entrevista ao CNN 360°, Fabrizio Panzini, diretor de Relações Governamentais da Amcham, estimou que a medida pode recair sobre até US$ 11 bilhões — cerca de 26% das vendas brasileiras ao mercado norte-americano em mercadorias — e atingir especialmente bens de maior valor agregado.
A particularidade da tarifa, segundo a entidade, é que ela não atinge apenas as empresas exportadoras, mas toda a cadeia produtiva que as sustenta. Setores como máquinas e equipamentos foram citados entre os que ficaram fora das exceções previstas, e dependem de insumos como aço, borracha e plástico. A consequência é um efeito multiplicador que amplia o custo econômico além do choque direto sobre vendas.
Panzini destacou ainda o caráter complementar da relação Brasil‑EUA, com muitos fluxos comerciais ocorrendo entre empresas do mesmo grupo e trocas de insumos que alimentam produção em ambos os lados. Mesmo com a elevação de tensões, há espaço para negociação: representantes americanos afirmaram permanecer abertos ao diálogo, e a Amcham recomenda aproveitar essa janela apesar do prazo curto para ofertas e do impacto do calendário eleitoral brasileiro.
A leitura política e econômica é clara: a tarifa impõe pressão sobre indústrias, eleva riscos para fornecedores e torna mais difícil recuperar mercados perdidos por meio de outros parceiros. Cabe ao governo e ao setor privado intensificar negociações e avaliar medidas de mitigação capazes de proteger empregos, receitas de exportação e cadeias estratégicas, sem subestimar o custo político dessa disputa comercial.