O ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles avaliou, em evento com lideranças e economistas em São Paulo, que o chamado 'tarifaço' anunciado pelos Estados Unidos tem um componente político importante, mas tende a ser de curto prazo. Segundo ele, a medida aparece em um contexto de pressão comercial e eleitoral nos EUA, embora não descarte efeitos práticos para o Brasil enquanto o processo estiver em andamento.
Meirelles também explicou por que empresas americanas consideram o Pix uma forma de concorrência desigual. Avanços regulatórios e a operação direta da ferramenta pelo Banco Central deram escala rápida ao sistema de pagamentos, e isso, combinando papel regulador e operacional, alimenta a acusação — repetida no relatório do USTR — de conflito de interesse e tratamento injusto a competidores estrangeiros.
O calendário americano é objetivo: a administração tem até 15 de julho para decidir sobre a definição e eventual aplicação das medidas, que passarão por consultas públicas antes de qualquer imposição. Para Meirelles, ainda que o efeito político seja temporário, a exposição pode gerar custo político e econômico ao governo brasileiro e criar insegurança para fintechs e plataformas de pagamento.
A mensagem política do ex-ministro é dupla: defender a importância do Pix para inclusão e eficiência enquanto se reconhece a necessidade de responder tecnicamente às críticas. O caso acende alerta e pressiona o governo e o Banco Central a apresentar salvaguardas ou ajustes que reduzam a percepção de distorção, para evitar que um episódio de curto prazo se transforme em risco duradouro às exportações de serviços e à reputação regulatória do país.