Um estudo do Ibevar aponta que as tarifas propostas contra produtos brasileiros podem reduzir exportações industriais em até US$ 9,5 bilhões. O levantamento estima ainda uma perda de consumo das famílias entre R$ 15 bilhões e R$ 38 bilhões em 2026 e uma redução do crescimento do PIB em até 0,6 ponto percentual, um recuo relevante para um ano de recuperação econômica frágil.
Ao ser procurado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços tem buscado relativizar os números, enquanto a Fazenda reprisa que “tudo ainda está em aberto” e pede cautela antes de conversões definitivas em projeções de produto. O Itamaraty, por sua vez, avalia que a tarifa de 25% sob discussão pode afetar a competitividade, embora talvez em grau inferior ao aplicado a outros países.
Os dados da Confederação Nacional da Indústria mostram que, em 2025, as exportações da indústria de transformação para os Estados Unidos já caíram 4,2% na comparação com 2024, um sinal de perda de ritmo antes mesmo de eventuais endurecimentos tarifários. Confederações estaduais e setores produtivos têm cobrado do governo maior clareza na estratégia e ajuste diplomático com Washington para evitar danos adicionais às cadeias de valor e aos empregos.
Do ponto de vista político e econômico, o estudo acende um alerta: além do impacto direto nas vendas externas, a projeção de enfraquecimento do consumo e do PIB cria desdobramentos fiscais e pressiona a agenda do Planalto por respostas articuladas. Se a intenção é preservar mercado e postos de trabalho, será preciso traduzir a cautela oficial em ações eficientes de negociação e comunicação — evitar o choque de medidas sem plano claro é condição mínima para limitar o custo real à economia.