O setor produtivo brasileiro corre risco de perder competitividade se as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos se consolidarem na faixa de 25% — com possibilidade de ultrapassar 30% em caso de investigação ampliada —, alerta o colunista José Pimenta. A avaliação, feita em entrevista recente ao CNN Money, desloca o foco do debate do embate político imediato para os efeitos econômicos sobre cadeias que levaram décadas para se construir.

Para empresas que atuam em segmentos business-to-business — como café solúvel, madeira, móveis e máquinas e equipamentos — um tarifaço desse porte não é apenas um adicional de custo: representa barreira seletiva que tende a reduzir volumes, apertar margens e estimular realocação de fornecimento. Em setores integrados, perdas de acesso ao mercado norte-americano reverberam por toda a cadeia, afetando fornecedores locais e centros de emprego regionalizados.

Há ainda um componente político que complica a resposta brasileira. A poucos meses de uma eleição nacional, qualquer medida externa tende a ser instrumentalizada por situação e oposição, amplificando ruído e dificultando negociações técnicas. Pimenta lembra que oscilações de popularidade e discursos de soberania em Brasília já tiveram repercussão internacional — elemento que pode influenciar tanto a dinâmica diplomática como a retórica interna sobre comércio.

Além do impacto direto nas exportações, há risco de efeito inflacionário para consumidores americanos, caso os custos sejam repassados, e de pressão sobre a agenda econômica brasileira: perda de receitas exportadoras, necessidade de respostas setoriais e potencial aumento de tensões comerciais. O diagnóstico aponta para urgência de resposta coordenada entre governo e indústria, com foco em diversificação de mercados, defesa comercial técnica e mitigações que preservem cadeias produtivas estratégicas.