Um levantamento preliminar da Amcham Brasil, apresentado pelo CEO Abrão Neto ao CNN 360º, indica que a proposta norte-americana de aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros alcançaria um pouco mais de um terço da pauta exportadora do país. A amplitude do efeito torna a medida um choque comercial com potencial de repercussão imediata.
Segundo a entidade, o impacto se concentraria no setor industrial — com máquinas, equipamentos, tratores e materiais de construção entre os itens mais expostos — e no setor agropecuário, com destaque para açúcar e gorduras animais. A indústria brasileira tem os Estados Unidos como principal destino em vários segmentos, o que amplia o risco econômico caso a tarifa avance.
O relatório do USTR é, por ora, preliminar: há um período de 30 dias para apresentação de comentários e uma audiência pública prevista para o início de julho, além do prazo até 15 de julho para que se construa uma solução negociada. Esse calendário acende alerta para o governo e amplia o desgaste político caso não haja avanços concretos nas conversas bilaterais.
A Amcham diz atuar de forma integrada com os dois governos e defende a via diplomática para preservar comércio e investimentos. Para exportadores e governos estadual e federal, o desafio é demonstrar resultados palpáveis antes do prazo — ou correr o risco de ver cadeias produtivas, faturamento de empresas e mercados consolidados sofrerem efeitos duradouros.