A Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) estimou que a imposição de novas tarifas de importação pelos Estados Unidos elevará os custos do setor em cerca de US$ 66 milhões até o fim do ano. Segundo a entidade, a sobretaxa adicional é próxima de 25% e incide sobre 684 dos 1.177 códigos SH6 do universo químico exportado ao mercado norte-americano; 493 códigos foram listados como isentos.
Embora as isenções respondam por parcela relevante do valor exportado — entre 64% e 71%, concentradas em poucos produtos de grande volume, como alumina calcinada e silício —, a maioria dos itens da pauta fica sujeita à tarifa. Produtos com menor participação em valor, mas importantes por volume e vínculo a cadeias industriais, como tintas, vernizes, lacas, fibras têxteis sintéticas e sabões e detergentes, aparecem entre os mais afetados.
O quadro expõe um dilema operacional e político: custos adicionais podem reduzir margens de exportadores, forçar reprecificação ou deslocamento de vendas para outros mercados, e criar pressão por respostas do governo brasileiro — seja por meio de negociações para ampliar isenções, seja por medidas de defesa comercial ou diplomacia econômica. A Abiquim também ressalta que os EUA registraram superávit no comércio químico com o Brasil de mais de US$ 9 bilhões no ano passado, o que, para a entidade, fragiliza justificativas para a ação tarifária.
No curto prazo, o impacto de US$ 66 milhões é um cálculo direto sobre custos de exportação; no médio prazo, o efeito político e econômico pode se traduzir em necessidade de revisão de estratégias de comércio exterior e apoio setorial. Para empresas e formuladores de política, o desafio será mitigar perdas sem transferir pressão ao consumidor ou comprometer cadeias produtivas, ao mesmo tempo em que se busca clareza sobre as motivações e a duração das medidas adotadas pelos EUA.