A nova rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos voltou a colocar o setor exportador brasileiro em posição de pressão junto ao Planalto. Especialistas ouvidos pelo portal afirmam que a medida aumenta a incerteza sobre custos e competitividade, levando empresas a buscar respostas imediatas do poder público em linhas de crédito e instrumentos de defesa comercial.

Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, lembra que o choque não é inédita novidade: no ano passado uma tarifa de 40% pegou setores desprevenidos e obrigou indústrias a reduzir operações ou se readequar rapidamente. A experiência anterior, diz ele, serviu para que o governo tivesse maior preparo, mas não eliminou o impacto econômico sobre cadeias produtivas vulneráveis.

O cenário se complica com a perspectiva de novas medidas derivadas de investigações como a seção 301 sobre trabalho forçado e o retorno pontual de instrumentos pouco usados, como a chamada Seção 338. Analistas em Washington avaliam que esses mecanismos podem ser acionados em diferentes capítulos da agenda comercial, ampliando a volatilidade para exportadores brasileiros e de outros países.

Diante disso, Barral aponta três frentes em que a pressão do setor privado deverá persistir: financiamento em condições competitivas, salvaguardas contra concorrência estrangeira e abertura a novos acordos que diluam risco de mercado. Para o governo, o desafio é equilibrar resposta técnica e custo fiscal sem perder autoridade diplomática — e o episódio acende alerta sobre a necessidade de estratégia coordenada entre ministérios e indústria.