A Taurus Armas encerrou o primeiro trimestre com prejuízo de R$ 36,6 milhões, revertendo lucro de R$ 18,6 milhões obtido um ano antes. O Ebitda ficou negativo em R$ 20,1 milhões, ante Ebitda positivo de R$ 7 milhões no mesmo período. A receita líquida foi de R$ 355 milhões, alta modesta de 1,7%, enquanto as vendas externas recuaram 1,4%.
Os custos dos produtos vendidos aumentaram 8% e as despesas operacionais subiram 15,4%, para R$ 135,5 milhões, comprimindo resultados. A empresa apontou como causa relevante a tarifa de importação de 50% aplicada pelos Estados Unidos — seu principal mercado — medida que só foi suspensa pela Suprema Corte americana em fevereiro.
No relatório ao mercado, a Taurus afirmou que a revisão judicial deve possibilitar a devolução dos valores pagos a maior, estimados em cerca de US$ 18 milhões para a companhia, mas que o timing da decisão não evitou o impacto no trimestre. A empresa também relatou sinais de leve retomada da demanda nos EUA e informou ter produzido naquele país mais armas do que no Brasil pela primeira vez.
O balanço expõe a dependência da companhia ao mercado norte‑americano e a sensibilidade a choques de política externa. Apesar da carteira de pedidos em torno de US$ 100 milhões, a combinação de CPV em alta e despesas maiores acende alerta para investidores e exige reação administrativa para recuperar margem e fluxo de caixa. Ficarão no radar a efetiva devolução das tarifas, a sustentação da demanda nos EUA e a capacidade de conter custos.