Pesquisador Derik Kauffman afirmou que o teclado do iPhone abriga uma lista multilíngue não divulgada com dezenas de milhares de palavras e frases que não são sugeridas automaticamente pelo recurso de texto preditivo ou pela digitação por gestos.

A lista não proíbe que usuários escrevam livremente, mas impede que as palavras apareçam como sugestões na maioria dos casos. Kauffman encontrou o compêndio no sistema operacional em setembro, usou ferramentas de código assistido por IA para localizar o arquivo e estima, de forma conservadora, cerca de 100.000 entradas — sem contar caracteres chineses. A agência Reuters testou um subconjunto e confirmou a dificuldade de obter sugestões para as frases apontadas por ele.

É uma forma de censura muito sutil

Entre os termos sinalizados há majoritariamente expressões vulgares, relativas a drogas, sexo ou violência, mas também frases com carga política, como "ditador Trump" e "Joe sonolento", além de termos como "conspiração da direita", "independência do Tibete" e "Irlanda Unida". Kauffman registrou ainda exemplos em outras línguas: em hindi, expressões sobre Narendra Modi e Rahul Gandhi; em francês, uma frase sobre "imigração muito alta"; em hebraico, "territórios ocupados".

Em resposta por e-mail, a Apple não confirmou tamanho ou composição da lista, mas disse que usuários podem digitar qualquer palavra e ignorar sugestões. Kauffman afirmou que o mecanismo revela inconsistências na aplicação do filtro e alertou para um efeito potencialmente discreto sobre como as pessoas se comunicam.