Um novo levantamento aponta que, no Brasil em situação de instabilidade econômica, a confiança do público em soluções digitais supera a credibilidade de influenciadores e de conselhos públicos genéricos. O estudo Acrobacia Financeira, encomendado pelo Inter e produzido pela Consumoteca ao longo de 2025, ouviu 1.540 pessoas em abordagem mista e descreve a realidade do brasileiro como uma "corda bamba": estresse permanente diante do desequilíbrio entre renda e despesas essenciais.
A pesquisa mostra que 91% dos entrevistados reconhecem a necessidade de educação financeira, mas que apenas 30% consideram suas finanças em ordem e só 23% conseguem poupar regularmente. Nesse contexto, apps bancários e ferramentas com inteligência artificial emergem como preferidos por oferecerem soluções em tempo real, automatizar manobras informais já praticadas pela população e ajudar no controle do fluxo de caixa cotidiano — funções que conselhos de influenciadores, muitas vezes teóricos e distantes da realidade, não cumprem.
O relatório aponta uma crítica clara aos modelos tradicionais de educação financeira: foco excessivo em metas de longo prazo e investimentos, com pouca adequação às urgências de quem depende do rotativo do cartão ou do crédito para pagar itens básicos. O crédito, descreve o estudo, é ao mesmo tempo sustento e fonte de ansiedade; e a tecnologia, nessa equação, aparece como mediadora mais neutra e prática para gerenciamento de dívidas e despesas imediatas.
Do ponto de vista institucional e político, a pesquisa acende alerta: bancos, fintechs e formuladores de política pública enfrentam um sinal de que produtos e programas precisam priorizar soluções de curto prazo e proteção contra armadilhas de endividamento. Para além da eficiência tecnológica, o desafio será combinar automação e personalização com regulação e educação que conversem com a rotina dos mais vulneráveis — caso contrário, a dependência de ferramentas pode reduzir a exposição a orientações erradas, sem resolver as causas estruturais da instabilidade financeira.