O Ministério das Comunicações negou oficialmente, nesta quinta-feira (27), qualquer interesse da Telebras em ativos de infraestrutura da Oi, cuja falência foi decretada nesta semana. "Isso é boato que existe há algum tempo, e sempre negamos", afirmou a pasta em nota, numa tentativa de conter especulações que têm movimentado o mercado.
A própria postura oficial já havia sido antecipada em julho pelo ministro Frederico Siqueira Filho, que disse ao Broadcast que o governo não deveria interferir nos contratos da Oi e que se deveria esperar uma "solução de mercado". A reafirmação agora busca limitar ruídos políticos, mas chega em meio a ganhos expressivos nas ações da Telebras impulsionados por rumores.
Isso é boato que existe há algum tempo, e sempre negamos
Os papéis da Telebras reagiram às especulações: na quarta-feira (26) houve alta superior a 30% e, em agosto, a valorização acumulada chegou a cerca de 80%. Paralelamente, pouco antes do fechamento deste texto, as ações da Oi operavam em queda — a ON recuava 5,16% e a PN, 6,95% — mostrando a volatilidade que relatos não confirmados podem gerar entre diferentes players do setor.
Especialistas ouvidos por mercado e analistas de política econômica alertam que boatos podem distorcer preços e criar expectativas políticas sobre uso de ativos públicos. Para quem defende responsabilidade fiscal e eficiência administrativa, qualquer movimento envolvendo estatais exige transparência e critérios claros: sem isso, o risco é tanto econômico — por avaliação equivocada de ativos — quanto político, com pressões por intervenção que complicam a já sensível gestão das empresas em recuperação.