O mercado local de juros futuros teve queda generalizada nesta quarta-feira, guiado por uma iniciativa do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos: a autoridade anunciou que deve ao menos dobrar recompras de títulos de longo prazo, em resposta ao estresse observado nos vértices longos. No ajuste final, o DI de janeiro de 2027 caiu de 13,749% para mínima intradia de 13,72%; o DI de janeiro de 2029 saiu de 14,336% para 14,195% e o DI de 2031 recuou de 14,643% para 14,50%.
Nos EUA, os rendimentos também recuaram: a T-note de 10 anos foi de 4,710% para 4,646% e o T-bond de 30 anos caiu de 5,284% para 5,192%. O movimento do Tesouro norte-americano foi o principal indutor do alívio nos papéis longos, mais do que a leitura da ata do Federal Reserve — que mostrou divisão interna, com três dos 12 integrantes favoráveis a alta imediata de 0,25 ponto em julho.
Analistas apontam que a ata indicou maior inclinação ao aperto desde junho, mas dados recentes de inflação, atividade e emprego vieram mais fracos, reduzindo as apostas em aumentos iminentes. Consultorias também alertam: a recompras aliviam temporariamente a ponta longa, porém não eliminam fatores estruturais que sustentam prêmio por prazo.
Na visão da equipe da Mirae Asset, o efeito local da ata foi modesto e a intervenção do Tesouro americano não resolve problemas como elevado endividamento público e a incerteza geopolítica no Oriente Médio — fatores que mantêm investidores preferindo duration curto. Do lado das commodities, o Brent avançou 0,66%, para US$ 91,62 na referência de outubro, reforçando risco inflacionário. Para o mercado brasileiro, o recuo nas taxas é bem-vindo, mas tende a exigir gatilhos domésticos sustentáveis para se transformar em queda duradoura do custo de financiamento.