O Tesouro Direto lançou o Tesouro Reserva, um título público atrelado à taxa Selic que estreia com duas promessas claras: liquidez 24 horas por dia e previsibilidade no rendimento. A dinâmica do produto elimina a marcação a mercado, reduzindo a volatilidade para o investidor que busca formar uma reserva de emergência. O resgate pode ser feito a qualquer momento, inclusive com possibilidade de transferência via Pix.

Na prática, o produto se coloca como alternativa direta à poupança, aos CDBs e às 'caixinhas' oferecidas por bancos digitais. Para aplicação inicial, o valor mínimo é de R$ 1. O juro acompanha a Selic (no momento, 14,5% ao ano) e, como nos demais títulos públicos, há incidência de Imposto de Renda na tabela regressiva. Para saldos acima de R$ 10 mil, aplica-se a taxa de custódia da B3, hoje em 0,2% ao ano.

Do ponto de vista do mercado, o Tesouro Reserva pode pressionar margens de produtos bancários que se sustentam na liquidez e em serviços associados às 'caixinhas' — sobretudo se for oferecido amplamente por diversas instituições. No entanto, a disponibilidade inicial apenas para clientes do Banco do Brasil e a cobrança da B3 e do IR reduzem, por ora, o potencial de migração instantânea de grandes volumes.

A novidade também tem implicações práticas para o investidor: maior previsibilidade e facilidade de resgate aumentam a atratividade para quem busca segurança imediata, mas a tributação no curto prazo e as taxas podem tornar a comparação com alternativas privadas menos favorável para determinados perfis e montantes. A expansão do produto para outras instituições será o fator decisivo para medir o real impacto sobre poupança, CDBs e carteiras digitais.