Em um dos seus últimos grandes discursos como CEO, Tim Cook chega à Worldwide Developers Conference pressionado a apresentar respostas concretas sobre como a Apple pretende competir no acelerado mercado de inteligência artificial. A expectativa é que a empresa revele uma Siri reformulada e atualizações de software que afetarão bilhões de dispositivos.

A Apple tem ficado atrás na corrida por agentes de IA: a reformulação da Siri acumulou atrasos e recursos prometidos ainda não chegaram ao usuário. Ferramentas atuais sob a marca Apple Intelligence têm presença muito limitada — o recurso está disponível apenas em modelos recentes do iPhone — e não têm conseguido se distinguir frente a ofertas do Google e da OpenAI.

A parceria anunciada com o Google, que deve trazer modelos Gemini para impulsionar a nova Siri, pode melhorar desempenho, mas também expõe uma dependência externa que merece atenção. Ao mesmo tempo, o vasto parque instalado — mais de 2,5 bilhões de dispositivos — é vantagem estratégica, embora grande parte dos iPhones ainda não suporte os recursos avançados de IA, limitando o alcance imediato.

O resultado do anúncio tem consequências práticas: pode recompor a narrativa diante de investidores que cobram clareza sobre como a IA se traduzirá em receita e fidelidade de usuários, e influenciar decisões de upgrade que movimentam vendas e serviços. A transição de Cook para presidente do conselho e a assunção de John Ternus como CEO em setembro colocam essa iniciativa como teste da sucessão e da capacidade da Apple de não perder terreno.