Dados do Banco Central referentes a dezembro de 2025 colocam o Tocantins no topo da inadimplência entre pessoas físicas, enquanto Santa Catarina registra o menor patamar, de 3,9%. Entre os estados do Sul e Sudeste, o Rio de Janeiro se destaca com índice acima de 6%, sinalizando dificuldades locais mesmo em regiões de maior dinamismo econômico.
O padrão regional é claro: Norte, Centro-Oeste e o chamado Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) concentram os maiores problemas de atraso. Uma explicação apontada por analistas é a interseção entre fragilidade do agronegócio e endividamento das famílias — produtores e trabalhadores recorrem a crédito na pessoa física para financiar safras, aumentando a exposição a incumprimentos.
A inadimplência no cartão de crédito merece atenção especial. Em estados como Maranhão, Pará, Amazonas e Goiás, a taxa ultrapassa 10%; em São Paulo, aproxima-se de 9%. Trata-se de uma modalidade com juros que podem chegar a patamares superiores a 300% a 400%, transformando atrasos em pressões financeiras severas para os lares e corroendo a renda disponível.
O quadro complica a narrativa de recuperação: indicadores macro — inflação e emprego, por exemplo — podem melhorar, mas o acúmulo de dívidas e o custo do crédito limitam consumo e elevam risco social. Para formuladores de política e setor financeiro, os números são um sinal de alerta sobre a necessidade de ações focalizadas para renegociação, proteção de renda e maior prudência na oferta de crédito ao consumidor.