O tráfego no Estreito de Ormuz registrou uma recuperação momentânea na última semana: 73 embarcações transitaram na quarta-feira, o maior número desde o início do conflito no fim de fevereiro e mais que o dobro do dia anterior. O ritmo vinha aumentando após a suspensão, pelos EUA, das sanções ao petróleo iraniano no início da semana e a iniciativa conjunta da ONU e da IMO para retirar 11 mil marítimos e 500 embarcações da área mais perigosa.
A IMO, com Irã e Omã, abriu duas rotas — uma ao norte, junto ao Irã, e outra ao sul, perto de Omã — para permitir uma saída controlada de navios considerados seguros. A iniciativa, porém, foi interrompida quando uma embarcação foi atingida no Golfo de Omã; uma autoridade norte-americana atribuiu o ataque a um drone iraniano, informação não confirmada por Teerã. Na sequência, o tráfego caiu pela metade após alertas iranianos sobre passagens ao longo da costa de Omã e a exigência de rotas declaradas ao país.
A suspensão evidencia que a recuperação é frágil. Antes da guerra, cerca de 110 a 160 navios cruzavam Ormuz por dia; desde os combates a média caiu para menos de dez. Há registro de pelo menos 46 ataques e 14 mortes, segundo a IMO. Seguradoras têm cancelado coberturas por cláusulas de tempo de guerra, e grandes transportadoras seguem cautelosas: navios de bandeira iraniana e alguns da Evergreen têm sido os que mais transitam, enquanto playeres globais ainda não retornaram em força e usam escoltas quando disponíveis.
Para a economia global, a interrupção não é neutra: menos oferta de passagem segura implica aumento de custos logísticos, prêmios de seguro mais altos, rotas alternativas mais longas e pressão sobre preços de energia. A suspensão da IMO mostra que qualquer alivio depende não só de acordos políticos, mas de garantias reais de segurança no mar — e que uma nova escalada pode fechar novamente a rota, com impacto direto em cadeias de abastecimento e nos custos ao consumidor.