O Ministério da Fazenda defende que a combinação de metas fiscais mais exigentes e um controle rigoroso das despesas pode, ao longo dos próximos anos, reduzir o prêmio de risco do país e criar condições para o chamado grau de investimento. A avaliação foi feita pelo secretário-executivo Rogério Ceron durante a apresentação do PLDO, que traz projeções de superávit primário de 0,5% do PIB em 2027, 1% em 2028 e 1,5% a partir de 2030.
Ceron argumentou que o mercado internacional já sinaliza uma visão mais favorável sobre o Brasil, e que a diferença entre as estimativas do governo e as do mercado tem relação direta com premissas de crescimento do PIB. Segundo a equipe econômica, cenários com crescimento mais fraco exigem esforço fiscal adicional e pressionam a dinâmica da dívida — hipótese que torna mais exigente a agenda de ajuste.
A proposta do PLDO inclui também a expectativa de estabilização da dívida pública ao final do horizonte projetado, mas o próprio Ministério admite que esse caminho passa por consistência nas projeções e, sobretudo, pelo cumprimento efetivo das metas e do controle de gastos. Em termos práticos, isso implica manter disciplina fiscal em anos politicamente sensíveis e responder a choques econômicos sem retrocessos nas regras anunciadas.
Do ponto de vista político e econômico, a narrativa tem efeito duplo: por um lado tenta recuperar confiança de investidores ao oferecer uma trajetória plausível; por outro, deixa exposta a fragilidade da estratégia caso as metas não sejam alcançadas ou se o crescimento decepcionar. A diferença entre discurso e execução será decisiva para saber se o sinal de melhora nas cotações internacionais se traduzirá em ganho concreto de credibilidade para o país.