A intenção de adquirir imóvel voltou a crescer no país: levantamento da Brain Inteligência Estratégica aponta que 49% das famílias manifestaram intenção de compra no início de 2026. O aquecimento do mercado é reflexo da estabilização dos juros e de novos estímulos públicos, como alterações no programa Minha Casa, Minha Vida — fatores que, na prática, ampliam oportunidades, mas também expõem compradores a riscos quando faltam cautelas básicas.
O primeiro passo, e o mais negligenciado, é o planejamento financeiro. Além do preço de venda, o comprador deve considerar IPTU, condomínio, seguro e eventuais reformas. Para quem depende de crédito, é fundamental simular parcelas em cenários diferentes de juros e prazos e checar compatibilidade com a renda familiar: especialistas alertam que a Selic pode voltar a subir, o que pressiona custos de financiamento e eleva o risco de aperto orçamentário.
A vistoria técnica é o segundo ponto decisivo. Em usados, um laudo pode revelar problemas estruturais que inviabilizam o negócio; em novos, o memorial descritivo é documento-chave para evitar divergências entre o anunciado e o entregue — fonte frequente de conflito entre compradores e construtoras. Construtoras de grande porte costumam disponibilizar o memorial antes da assinatura, reduzindo assim a assimetria de informação. Visitar o entorno em horários distintos também ajuda a avaliar qualidade de vida e liquidez do ativo.
Por fim, a regularização documental concentra a maior complexidade jurídica: contrato de compra e venda, escritura pública (obrigatória para imóveis acima de 30 salários mínimos, conforme o artigo 108 do Código Civil) e registro na matrícula do imóvel. Há exceções, como contratos de financiamento com alienação fiduciária, que dispensam a escritura em razão do registro do contrato. O caminho mais seguro é atuar com orientação profissional: erros na documentação podem gerar prejuízos, litígios e desgaste para compradores, construtoras e, indiretamente, para as políticas públicas que fomentaram a demanda.