A incorporadora Trisul anunciou a primeira mudança no comando em mais de quatro décadas: o fundador Jorge Cury deixa a presidência executiva e assume a presidência do Conselho de Administração, enquanto Michel Esper Saad Junior passa a vice-presidente do órgão. O novo CEO é João Azevedo, que estava há dois anos na companhia como vice-presidente de operações.

A troca foi apresentada como resultado de um plano iniciado com a chegada de Azevedo, cujo currículo inclui posições de diretoria na Gafisa e na Even. A direção vende a ideia de transição ordenada e continuidade operacional — argumento importante para limitar ruído junto a investidores e parceiros após uma liderança tão longa.

Na prática, a manutenção da estratégia significa atuação simultânea no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) — que responde hoje por metade dos lançamentos da Trisul — e no segmento médio e médio-alto na cidade de São Paulo. O retorno ao MCMV foi motivado pelo aperto do crédito e pelo financiamento subsidiado via FGTS, e exigiu reorganização interna, com equipes comerciais e de engenharia separadas por produto.

Do ponto de vista econômico, a sucessão profissionaliza a governança e reduz o risco de ruptura, mas não elimina desafios externos: a retomada plena da classe média depende da queda dos juros e da melhora do crédito. A empresa aposta na capacidade de selecionar terrenos e lançar produtos mais assertivos para mitigar o elevado estoque em São Paulo — estratégia que exigirá execução disciplinada para converter a transição em ganho concreto.